TDAH – Tratamentos Alternativos / Complementares – Parte 2

TDAH – Tratamentos Alternativos / Complementares – Parte 2

Por Gabriel Baptista – Psicólogo – CRP 06/127340

 

Dando continuidade ao nosso apanhado de técnicas de tratamento complementares para o TDAH, trazemos, na segunda parte, mais três indicações de práticas alternativas para a estimulação das funções deficitárias da pessoa hiperativa.

Project Neumann

Um grupo de pesquisadores do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em parceria com o departamento de Medicina Molecular da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e com a Duke University, dos Estados Unidos, está desenvolvendo uma série de jogos eletrônicos que têm como objetivo treinar habilidades deficitárias em portadores do TDAH.

Um grande fator que atrapalha o sucesso dos tratamentos convencionais para o transtorno é a falta de motivação da criança para aderir a ele. E foi pensando nisso que o neuropsicólogo Thiago Rivero resolveu planejar uma ferramenta que fosse atraente para os pequenos e eficiente no desenvolvimento de aspectos importantes da cognição, como o controle inibitório, normalmente falho em quem tem o TDAH.

O projeto, batizado Project Neumann, consiste, na verdade, em quatro diferentes jogos, sendo que cada um conta com um herói e um vilão próprios, e se relaciona a um domínio cognitivo específico: dificuldade de focar atenção, dificuldade de controlar impulsos motores, dificuldade de ignorar distrações e dificuldade no controle do planejamento. Além de treinar essas habilidades, o jogo pretende ser uma ferramenta de sua avaliação, contando com um sistema que permite gerar gráficos e relatórios de desempenho no fim de cada fase para ajudar a monitorar a evolução dos jogadores.

 

Video-Games

OK, então está em desenvolvimento um jogo que tem por objetivo ajudar as crianças com TDAH. Mas e quanto aos outros jogos eletrônicos? Esses que existem em disponibilidade quase infinita nas lojas e na internet? Também ajudam a desenvolver essas competências ou são prejudiciais para a criança que sofre com desatenção e hiperatividade? A resposta para essas perguntas não é simples e nem única. Podemos começar explicando como pode uma criança que não consegue ficar cinco minutos em silêncio, prestando atenção numa aula, passar horas sentada no sofá em profunda concentração num jogo eletrônico.

Grosso modo, podemos dizer que nossa atenção é mantida por recompensas. Quando achamos algo interessante, estamos sendo “recompensados” por manter nossa atenção. Os jogos eletrônicos são desenvolvidos de forma a dar recompensas quase que o tempo todo: marcamos pontos, concluímos desafios, obtemos vidas extras, evoluímos o personagem da forma como queremos, derrotamos oponentes. Tudo isso acaba por manter nosso envolvimento de forma extremamente eficiente. Algo que muitas vezes não acontece, por exemplo, numa aula de uma matéria na qual não temos nenhum interesse, ministrada por um professor monótono que não envolve os alunos nem faz nada para deixar sua exposição mais interessante.

Os jogos eletrônicos estão disponíveis de forma extremamente variável. Existem jogos de se jogar sozinho ou com mais pessoas, cooperativos, competitivos, sociais, complexos e longos, simples e causais, enfim, estamos num ponto onde o avanço tecnológico permite transformar basicamente qualquer ideia em jogo. Quando pensamos em seu efeito numa pessoa com TDAH, devemos então, pensar em quais características deve ter um jogo que beneficiará as habilidades deficitárias do portador. Assim, os jogos mais adequados seriam os sociais, cooperativos, que possibilitam uma progressão de conquistas e do nível de dificuldade dos desafios, evolução do personagem e com feedback do desempenho do jogador.

Os jogos que possuem essas características estimulam o desenvolvimento de diversas capacidades no jogador, como a noção de tempo e planejamento, raciocínio viso espacial, controle da impulsividade e comportamento social, no caso dos jogos sociais. Além disso, constituem um ótimo exercício para a concentração e para a motivação e persistência na tarefa, visto que, normalmente, são dadas diversas chances para que o jogador consiga alcançar seus objetivos.

Para além do jogo em si, o hábito de jogar video-games traz oportunidades que podem ser aproveitadas pelos pais: o estabelecimento de rotina e respeito às regras, quando se estabelece um limite de tempo diário para os jogos, ou condições para ter acesso à eles (por exemplo: só poderá jogar  video-game depois que arrumar o quarto e terminar as tarefas da escola); e a aproximação entre filhos e pais, quando estes se interessam pelo jogo, jogando junto com suas crianças ou simplesmente assistindo e demonstrando seu interesse através de perguntas, comentários e elogios ao seu desempenho.

Por fim, ainda há a possiblidade de ganhos para a autoestima, domínio muitas vezes afetado nos portadores de TDAH, visto sua dificuldade em completar algumas tarefas simples do dia-a-dia ou da escola, que são completadas sem grandes dificuldades por outras crianças. Obter sucesso no jogo ajuda a diminuir a sensação de incapacidade perante os desafios.

 

Mindfulness

Podemos definir Mindfulness (“atenção plena”, ou “consciência plena”) como a capacidade de prestar atenção no momento presente, sentir o agora, sem pensar demais ou estabelecer juízos de valor. A técnica foi criada no fim da década de 1970 pelo professor de medicina norte-americano Jon Kabat-Zinn, que pretendeu adaptar a meditação do Zen Budismo à realidade ocidental, ao perceber seu enorme potencial para a saúde. São práticas simples, sem viés religioso, que podem ser exercitadas em qualquer lugar, mesmo por períodos de tempo muito curtos.

A meditação altera nossa fisiologia, diminuindo o ritmo cardíaco, consumo de oxigênio, melhorando a qualidade do sono, a produção saudável de hormônios e, acima de tudo, a nossa atenção ao momento. Aprendemos a dar conta de onde está nossa mente e trazê-la de volta para onde devemos nos concentrar.  Estudos comprovam a eficiência desta técnica também para o desenvolvimento do controle de impulsividade e memória. Os tratamentos com a aplicação de Mindfulness usam programas estruturados com duração média de 8 a 10 semanas.

 

Project Neumann

http://agencia.fapesp.br/videogame_pode_se_tornar_aliado_no_tratamento_do_tdah/17888/

http://blogs.estadao.com.br/link/psicologos-usam-game-contra-deficit-de-atencao/

Video-Games

http://www.fundacioncadah.org/web/articulo/los-videojuegos-en-el-tratamiento-del-tdah.html

Mindfulness

http://www.diariodaregiao.com.br/vidaeestilo/mindfullness-%C3%A9-nova-t%C3%A9cnica-contra-estresse-ansiedade-e-depress%C3%A3o-1.30260

http://www.fundacioncadah.org/web/articulo/tdah-mindfulness.html