Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual contra crianças e adolescentes

Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual contra crianças e adolescentes

Você sabia que o dia 18 maio é uma data muito importante, para as crianças e adolescentes? Pois é o dia nacional de Combate ao Abuso Sexual e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Um tema que preocupa muitos pais, professores e profissionais ligados à saúde, educação e justiça, mas que devido a diversos motivos nem sempre é discutido de maneira aberta entre adultos e principalmente com as crianças e adolescentes. Por isso, para começar nosso diálogo é preciso entender o que cada termo significa.

O abuso sexual configura-se como o estabelecimento de uma relação de cunho sexual entre um adulto, que se aproveita da desigualdade de poder e autoridade existente nas relações entre adultos e crianças/adolescentes, para envolvê-los em algum tipo de atividade sexual. Fique esperto! Não é preciso penetração para haver abuso sexual, nem mesmo contato físico. Mostrar material pornográfico, exibir ou solicitar que a criança/adolescente exiba seus genitais, entre outras situações também configuram abuso sexual e podem causar consequências graves a curto, médio e longo prazo nas crianças/adolescentes que são expostos a essa situação que extrapola sua capacidade de entendimento ou consentimento!

Já a exploração sexual é a utilização de crianças e adolescentes como forma de se obter lucro de qualquer espécie e geralmente aparece de quatro formas: prostituição, pornografia, tráfico e turismo sexual. Lembrando que crianças e adolescentes não possuem condições de consentir com qualquer tipo de relação sexual e que cabe ao adulto dizer “não” e denunciar (via conselho tutelar, delegacias especializadas, disque 100, etc) qualquer forma de abuso ou exploração sexual de que venha a ter conhecimento!

Prevenir é a palavra-chave em relação a este tema, e algumas atitudes simples de educação para as crianças e adolescentes podem fazer toda a diferença! Por exemplo, é importante que elas saibam identificar todas as partes do corpo, inclusive seus genitais; ensinar a regra do “aqui ninguém toca” em relação as partes íntimas também é uma boa dica, essa regra faz parte de uma campanha mundial e diz que todas as partes do corpo que são cobertas pelas roupas íntimas não devem ser tocadas.

Além disso, é importante que a criança entenda que tem autonomia para negar contatos físicos entre ela e outras pessoas, inclusive adultos, incluindo não forçar a criança a beijar ou abraçar pessoas que ela não queira, mesmo que sejam da família! Tente oferecer uma alternativa, como um aperto de mão ou um aceno, algo que não ultrapasse os limites da criança e deixe claro que ela pode negar contatos físicos com os quais não se sente confortável. Muitas vezes a família parece o lugar mais seguro, mas estudos sobre o tema apontam que a maioria dos casos de abuso sexual acontece por algum membro da família ou alguém próximo a esta, o que dificulta muito a revelação por parte da criança ou adolescente, já que seu agressor é alguém conhecido e com quem ela, provavelmente, tem uma relação de convivência, confiança e afeto. Os abusadores se aproveitam dos sentimentos comuns de culpa, confusão e vergonha sobre a situação, além de fazer ameaças e chantagens para conseguir o silêncio de suas vítimas! Portanto desde cedo explique para a criança que não devem existir segredos e que, se alguém lhe fizer mal, seja por meio de palavras ou de toques, ela deve contar a um adulto em que confie!

Infelizmente nem sempre é possível prevenir e, nesses casos, quanto antes o abuso ou a exploração sexual forem descobertos e denunciados, melhor, evitando novos episódios de violência. Tal tipo de violência pode deixar marcas profundas tanto físicas quanto psicológicas (distúrbios do sono, distúrbios da alimentação, maior propensão ao abuso de substâncias, DST’s, gravidez, sentimentos de culpa, depressão, ansiedade, dificuldade em estabelecer relacionamentos amorosos e outros vínculos sociais, entre outros) e assim como outros tipos, na maioria das vezes, também deixa sinais de alerta, como: comportamentos sexualizados não apropriados para idade; curiosidade e/ou conhecimento sexual excessivo; busca por brinquedos, jogos e/ou interações sexualizadas; masturbação excessiva; doenças sexualmente transmissíveis; reclamações de dores nos genitais; mudanças bruscas de comportamento; mudança no desempenho e comportamento na escola; etc.

Fique atento a estes sinais, previna e denuncie! Para a denúncia basta a suspeita de que o abuso ou a exploração sexual ocorra ou tenha ocorrido cabendo às entidades responsáveis o papel de investigar a situação, além disso, é possível fazer denúncias anônimas.  Você pode salvar a vida e o futuro de alguém.

 

Isa Maria de S. F. Ferrari – CRP 06/122337
Psicóloga e Mestre em Educação Especial pela UFSCar