8 de Março – Dia Internacional das Mulheres. Comemoração ou conscientização?

8 de Março – Dia Internacional das Mulheres. Comemoração ou conscientização?

Por Giovana Osse – Psicóloga CRP 06/121316

 

O dia 08 de março é dedicado à comemoração do Dia Internacional da Mulher, e, em nosso país, essa data é comemorada em um tom festivo. Observa-se muitos parabéns para as mulheres, e em alguns casos, com flores e bombons.

A data foi reconhecida pela Organização das Nações Unidas na década de 1970, porém a história vem de muito antes, do início do século XX, no contexto da Segunda Revolução Industrial e da Primeira Guerra Mundial, quando ocorreu a incorporação da mão-de-obra feminina em massa ao operariado. Diante de condições insalubres de trabalho, começou um movimento de mulheres na América e na Europa, reivindicando melhores condições de vida e trabalho. As jornadas diárias de trabalho excessivas e a discriminação de gênero eram alguns dos pontos que eram debatidos pelas manifestantes da época.

Foi em 1910, durante a Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialista sem Copenhague, que a líder socialista alemã Clara Zetkin propôs a instituição de uma celebração anual das lutas por direitos das mulheres trabalhadoras.

No Brasil, nos últimos anos, foram divulgadas matérias associando o Dia Internacional da Mulher ao incêndio na Triangle Shirtwaist Company, que se localizava na esquina da Rua Greene com a Washington Place nos Estados Unidos, quando, na verdade, Clara Zetkin propôs a data comemorativa um ano antes do incêndio. É muito provável que o sacrifício das trabalhadoras da Triangle tenha se incorporado ao imaginário coletivo da luta das mulheres.

O Dia da Mulher representa conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres ao longo dos anos e sua origem é marcada por fortes movimentos de reivindicação política, trabalhistas, greves, passeatas e perseguição policial. É uma data que simboliza a busca de igualdade social entre homens e mulheres, em que as diferenças biológicas sejam respeitadas, mas não sirvam de pretexto para subordinar e inferiorizar a mulher.

Ao fazermos uma análise sócio-histórica-poítico-legal das conquistas das mulheres ao longo da história, muita coisa mudou: direito de voto, participação na política, no mercado de trabalho, na constituição familiar.

Ser mulher ao longo da história era uma desvantagem social e política. E nos dias atuais, qual o papel da mulher na sociedade, qual a identidade da mulher? São perguntas que podem ser um tanto difíceis de serem respondidas. São inúmeros os papeis da mulher no contexto atual, e são tantos os fenômenos que tem influenciado na identidade e na vida da mulher, que torna-se muito difícil encontrar uma resposta definitiva para esse questionamento.

Muitas mulheres acumulam papéis e funções, como maternidade, profissão, trabalho, casa, marido, família, estudo, educação dos filhos, dentre outros, são muitas em uma só, e não são totalmente reconhecidas.

Até algum tempo atrás, mulheres não tinham o direito de fazer escolhas, e hoje são, em muitas situações, arrimo de família e tomadora de decisões.

Porém, é preciso refletir além das conquistas, sobre o que ainda precisa ser mudado, quais são as lutas atuais e tudo que ainda permanece velado, existem muitos outros aspectos que precisam ser colocados em pauta para discussão em nossa sociedade, como algumas questões que emergiram em discussão recentemente, como violência contra mulher, assédio sexual e estupro, que por muito tempo permaneceu velado.

De fato, não é uma data comemorativa, e sim de conscientização sobre o papel da mulher na sociedade. Embora com muitas conquistas, ainda se luta por respeito e reconhecimento.

Existe um grande desafio adiante, e que esse 8 de março proporcione reflexão sobre os diversos papeis e identidades assumidos pelas mulheres e o que ainda é possível conquistar perante a nossa sociedade.

 

Giovana Osse

Psicóloga CRP 06/121316